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A Genizah do Cairo: o que Cambridge e Oxford confirmam

Uma genizah é, na tradição judaica, um espaço onde textos escritos deixam de circular sem, no entanto, serem destruídos, por respeito à escrita e sobretudo aos textos de carácter sagrado. A mais estudada de todas é a associada à Sinagoga Ben Ezra, no Cairo, cujo conteúdo acabou disperso, ao longo do século XX, por bibliotecas universitárias e museus em vários países. Este artigo baseia-se exclusivamente em três fontes institucionais: as páginas da Cambridge University Library, da Bodleian Library (Universidade de Oxford) e das Smithsonian Libraries. Por essa razão, alguns dados frequentemente repetidos noutros contextos sobre a génese desta coleção — nomeadamente a cronologia exacta da sua descoberta — não podem ser confirmados a partir do material aqui consultado, e são por isso tratados com reserva explícita e não apresentados como facto estabelecido. O que é preservado numa genizah e porque interessa aos historiadores A Cambridge University Library descreve a sua coleção Taylor-...

Manuscritos do Mar Morto: o que são e por que importam

O que são os Manuscritos do Mar Morto

Os Manuscritos do Mar Morto são um conjunto de milhares de fragmentos e alguns rolos quase completos, encontrados sobretudo em onze cavernas junto ao sítio de Qumran, perto do Mar Morto. A maior parte está escrita em hebraico, cerca de 15% em aramaico e uma pequena parte em grego; os materiais são principalmente pergaminho, havendo também papiro e um rolo gravado em cobre.

Os textos de Qumran datam aproximadamente do século III a.C. ao século I d.C., antes da destruição do Segundo Templo em 70 d.C. Manuscritos encontrados noutros pontos do deserto da Judeia alargam esse período, indo do século VIII a.C. ao século XI d.C.

Fontes: [1]

A descoberta em Qumran

Segundo o relato conservado pela Autoridade das Antiguidades de Israel, em 1947 um jovem pastor beduíno da tribo Ta'amireh, à procura de um animal perdido, encontrou junto a Qumran uma caverna com jarros de barro que continham rolos antigos. Os primeiros rolos passaram por negociantes de antiguidades, entre eles Kando e Salahi, chegando depois ao Arcebispo Samuel e ao professor Eliezer Sukenik, da Universidade Hebraica, que reconheceu tratar-se de manuscritos hebraicos muito antigos.

Entre 1949 e 1956, equipas de arqueólogos, entre os quais Roland de Vaux e Gerald Lankester Harding, e também beduínos, localizaram mais dez cavernas na região. No total foram recolhidos fragmentos de mais de 900 manuscritos diferentes, sendo a Caverna 4 a mais rica, com fragmentos de cerca de 500 rolos distintos.

Fontes: [2]

A diversidade dos textos

Cerca de 230 dos manuscritos são cópias de livros que hoje integram a Bíblia Hebraica, existindo fragmentos de praticamente todos os livros à exceção de Ester. Alguns foram copiados em escrita paleo-hebraica, mais antiga que a usada habitualmente na época. Muitos destes textos aproximam-se do Texto Massorético posterior, mas outros apresentam diferenças, acrescentos ou supressões, o que sugere que, no período do Segundo Templo, não existia ainda uma ideia fixa e unificada de um cânone bíblico fechado.

Os manuscritos não-bíblicos incluem comentários, hinos, textos de sabedoria, escritos apocalípticos e calendários religiosos. Alguns, como o Livro dos Jubileus, já eram conhecidos por traduções antigas antes de aparecerem em hebraico em Qumran. Cerca de um quarto destes textos não-bíblicos é classificado como "sectário", por parecer refletir as regras e crenças de uma comunidade específica. Durante décadas associou-se este material aos essénios, um dos grupos religiosos judaicos da época, mas essa ligação é hoje discutida entre especialistas, sem consenso total sobre que comunidades os textos representam.

Fontes: [1]

Além de Qumran: outros sítios e períodos

O termo "Manuscritos do Mar Morto" cobre também achados feitos fora de Qumran, num intervalo temporal muito mais amplo. Incluem-se papiros samaritanos em aramaico de Wadi Daliyeh, do século IV a.C., manuscritos árabes de Khirbet Mird dos séculos VII-VIII d.C., documentos de Massada e textos das chamadas cavernas de refúgio ligadas à Revolta de Bar Kokhba (132-135 d.C.), entre os quais cartas atribuídas ao líder da revolta e um rolo dos Doze Profetas Menores em grego.

Os rolos bíblicos encontrados nessas cavernas de refúgio aproximam-se muito do Texto Massorético, o que é interpretado como indício de que o texto bíblico já estava relativamente estabilizado por volta do século II d.C.

Fontes: [1]

Do achado à publicação científica

Depois da descoberta inicial, os fragmentos foram reunidos e estudados no Museu Rockefeller, em Jerusalém. Durante cerca de 40 anos, a análise ficou concentrada num pequeno grupo de investigadores, o que atrasou significativamente a publicação. Nos anos 1990, a Autoridade das Antiguidades de Israel alargou a equipa a cerca de cem investigadores internacionais, sob a direção do professor Emanuel Tov, e por volta de 2001 a maior parte das edições oficiais estava publicada.

Fontes: [2]

Por que importam, e os limites do que se sabe

Os Manuscritos do Mar Morto são considerados relevantes porque constituem os testemunhos conhecidos mais antigos de textos bíblicos, mais de mil anos anteriores a manuscritos bíblicos anteriormente disponíveis, e permitem comparar variantes textuais ao longo do tempo. Mostram ainda a diversidade de escritos religiosos em circulação entre comunidades judaicas do período do Segundo Templo.

Importa distinguir o que está bem documentado do que continua em aberto: a datação, os locais das cavernas e a existência de textos bíblicos e não-bíblicos são dados verificáveis pela investigação arqueológica e textual. Já a identificação exata da comunidade ou comunidades responsáveis pelos textos sectários, a sua relação com os essénios e a interação entre diferentes grupos permanecem objeto de debate entre especialistas, sem uma conclusão unânime.

Fontes: [1], [2]

Fontes consultadas

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